Sexta-feira, 3 de Agosto de 2007

Raios abrasem os putos!

Epá, ontem dei-me conta de uma coisa, há uma parga de tempo que não vejo em qualquer fila de supermercado, na sombra de alguma esplanada, ou até mesmo, imagine-se, numa qualquer loja de brinquedos, uma mãe ou um pai assentar, assim como quem não quer a coisa, uma daquelas palmadas a que o meu pai chamava de "correctiva" e que me aplicava na altura certa e com a intensidade ideal, para não magoar mas sim para me abrir a pestana em relação ao meu comportamento.

Porém, ontem também me dei conta - o meu cérebro funciona assim, tem longos períodos de latência, mas quando acorda desata a tecer considerações como se não houvesse amanhã - que os sacanas dos putos fazem cada vez mais estrilho.

Eu não sou pai, sou tio e tenho a meu cuidado dois putos de 15 e 5 anos. O mais velho é aquilo que eu considero um caso perdido. Mimado até ao tutano, com uma insolência tão grande que só apetece arrancar-lha a pau de marmeleiro e uma futilidade de fazer inveja a todas as tias de Cascais e arredores. Mas como dizia, esse é um caso perdido, os pais que o aturem!

Agora o mais novo é diferente. Esse está naquela idade em que absorve tudo o que o rodeia com a mesma facilidade com que devora jogos para a PSP.

E como sou eu que o aturo, o petiz tem de tocar a música ao meu gosto...

Para terem uma ideia, certo dia, logo nos primeiros tempos em que fiquei a tomar conta do crianço, levei-o ao hipermercado. Quando cheguei à caixa e comecei a colocar as compras no tapete, saltaram-me à vista dois chocolates e um chupa-chupa dos pokémons que o puto mandou para dentro do carro sem que eu reparasse - hábito ganho com os papás -, eu descontraidamente dividi no tapete as compras, colocando em primeiro lugar as compras de casa e depois, separadas pela placa do "cliente seguinte" as guloseimas de sua Exª.

A senhora da caixa disse-me o total das compras que eu paguei e depois deixei-a passar as guloseimas. Quando ela me disse o valor eu virei-me para o meu pirralho e disse-lhe «Pronto, agora paga à senhora!», como não podia deixar de ser o miúdo olhou para mim todo atrapalhado e disse-me que não tinha dinheiro, ao que eu respondi que também só tinha dinheiro para as minhas coisas e que ele agora tinha de pedir desculpa à senhora mas que não ia comprar as guloseimas. Até hoje o meu sobrinho sempre que vai ao supermercado comigo ou com a tia pergunta «Podem-me comprar isto?».

Ontem quando o irmão mais velho lhe ganhou justamente num jogo de futebol desatou a chorar que nem uma Madalena arrependida. Eu, que gosto pouco de mimalhices destas, disse-lhe que o irmão tinha ganho porque tinha jogado melhor e que ele já tinha por outras vezes, ganho ao irmão pelo mesmo motivo. Ora o sacana do puto não vai de modas e manda-me calar com um berro que quase me furava os tímpanos.

Ah menino, dei-lhe então a primeira palmada no rabo, apenas com a força suficiente para eu conseguir a sua plena atenção, que aliás consegui. Aproveitei o seu olhar surpreso - acho que foi a primeira palmada que levou nos 5 anos da sua existência -, e disse-lhe «Meu rapaz, se tens idade para gritar como um adulto tens idade para ser castigado como um adulto, por isso vê se atinas.» O puto então perguntou-me porque é que lhe tinha batido e eu disse-lhe que gritar daquela forma para alguém mais novo ou mais velho era uma falta de respeito e, como eu sempre o tinha respeitado não admitia que ele falasse assim comigo.

O puto olhou para mim outra vez, disse-me «'tá bem!» e perguntou se podia ir ter com o irmão. Eu deixei-o ir, ainda que não muito certo que a minha psicologia tivesse entrado naquela cabecita loira.

Quando a mãe o foi buscar depois de jantar, o meu adorado sobrinho, sol dos meus dias, virou-se para a progenitora e disse-lhe do alto da infinita sapiência dos seu 5 anos: «Mãe, vou deixar de gritar contigo e com os outros porque isso é uma falta de respeito, mas tu também não podes gritar comigo porque eu sou pequeno mas sou gente. Por isso quando eu me portar mal tu avisas mas não gritas, 'tá bem?»

Com os pais ele pode fazer o que quiser, como quiser, agora aqui com o tio a conversa é outra.

Os actuais pais não se podem esquecer que estão a educar os futuros portugueses e eu sinceramente digo-vos, se isto continua assim eu vou emigrar. Ai vou, vou! 

música: Um tio preocupado...
publicado por Flame às 11:56
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Terça-feira, 3 de Julho de 2007

Sou Berardez

Ah, ah! Finalmente as águas agitam-se cá no burgo.

Os Estados Unidos têm o Katrina, nós temos o Berardo!

Saudosistas D'El Rei D. Sebastião podem deixar de chorar. É certo que não chega de barco, envolto em doce neblina, mas aí o temos. Tal Delfim da nação, filho pródigo que regressa a casa, chegou, viu e... mandou!

Mandou em tudo e em todos. Ele faz calar o governo, ele rouba-nos o CCB, ele vai roubar o Benfica, ele despede, ele insulta e por fim ele é aplaudido por quem nos devia proteger. Proteger das suas investidas, da sua arrogância desmedida, da sua pronuncia escabrosa, dos seus roubos.

Porra pá! Andou o meu pai a pagar impostos para eu ter um Centro Cultural em Belém e agora de cada vez que lá vou dizem-me que aquilo é do Mr. Berardo. Uma porra! Ao meu pai ainda nínguem devolveu o carcanhol que lá enterrou via IRS.

Mas isto não fica por aqui. Não se admirem se daqui a uns anos, quando chegarem a Portugal vindos por via aérea do estrangeiro, aterrarem no futuro aeroporto Mr. Joe Berardo, de irem ver um jogo do Benfica ao Estádio Joe Berardo, ou num prespectiva bastante fatalista, terrífica diria mesmo, quando alguém lhe perguntar a nacionalidade você responder:  "Sou Berardez!"

Eu sei que o mundo é um lugar onde nada faz sentido, se fosse, de certeza que eram os cavalheiros que andavam a cavalo com as duas pernas para o mesmo lado e não as donzelas, mas porra tudo tem limites.

Por menos que isto houve uns quantos que tiveram de deixar tudo e zarpar rumo ao Brasil, isto nos idos de 70, agora estendem-se passadeiras vermelhas, baixam-se calças e ala Cardoso que se faz tarde...

Tudo bem, o homem até tem dinheiro, até tem algumas ideias de jeito, mas nós somos Portugal, temos o nosso Orgulho e temos, acima de tudo problemas sociais e humanos muito importantes que deviam importar mais ao Mr. Berardo do que o sítio onde vai arrumar os quadros, ou o facto de não estar hasteada esta ou aquela bandeira. Se quer ser Mecenas que faça um mecenato justo e desprendido. Agora dizer que é mecenato disponibilizar uma colecção de arte para estar exposta num lugar que foi roubado a um povo não me parece de grande Mecenas. Achava-lhe mais graça se Mr. Berardo patrocinasse umas associações como a Abraço, a Apav ou outras do género, ou até mesmo quem sabe criasse ele uma, mas que ajudasse quem precisa.

A arte pode ser muito boa mas não mata a fome...

Por outro lado, o lado esquerdo do meu cérebro se quisermos ser correctos, pode ser que o Mr. Berardo seja um grande Mecenas sim senhor, mas do Sr. Sócrates, assim em jeito de politica americana, isto é o que dá ver o "Irmãos e Irmãs.", ou seja o Mr. Berardo mecena, que é como quem diz comparticipa na campanha eleitoral do nosso Primeiro, e ele, o Sr. Sócrates baixa as calças de toda uma nação. Razão tinha o outro que dizia que estavamos de tanga...

Bem hoje fico-me por aqui. Até uma próxima, isto se não for bater com o costado na cadeia por difamação e mais o raio que o parta que agora inventaram para que o pessoal ande sogadito... Os meus pais, se não estou em erro, chamavam-lhe censura.

 

 

 

 

publicado por Flame às 16:03
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